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A CENTRAL APOSTA EM ASSOCIATIVISMO, ESCALA E INOVAÇÃO PARA AMPLIAR COMPETITIVIDADE NO SETOR SUPERMERCADISTA.
Por: Dayane Lima | Revista Gôndola
A Revista Gôndola inicia uma nova série especial, dedicada às Centrais de Negócios mineiras — organizações que transformaram o varejo supermercadista por meio da união, da estratégia e da força coletiva. Ao longo deste ano, vamos destacar a história, os desafios, as conquistas e o papel fundamental dessas centrais no desenvolvimento do setor em Minas Gerais.
Para abrir a série, apresentamos a trajetória da Hipervalor, uma Central que se tornou referência em gestão, expansão e fortalecimento do associativismo. Nesta primeira reportagem, vamos revisitar seu surgimento, entender os motivos que impulsionaram sua criação e mostrar como a união de empresários visionários deu origem a uma história de crescimento e relevância no mercado mineiro.
HISTÓRIA
Fundada em 2018, a Hipervalor Associação Varejista nasceu a partir de um movimento estratégico de supermercadistas mineiros com ampla experiência no setor. Empresas com 30, 50 e mais de 60 anos de atuação identificaram a necessidade de ganhar escala, estruturar melhor o relacionamento com a indústria e profissionalizar ainda mais os processos de negociação para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo.
Embora a formalização da Associação tenha ocorrido em 2018, a relação entre os empresários já vinha sendo construída anteriormente. O uso do mesmo sistema de gestão (ERP) e a constante troca de informações de mercado aproximaram três varejistas, que se tornaram os principais articuladores da criação da Hipervalor, como explica o Executivo da Central, Gustavo Fleubert. A afinidade na visão de futuro, o relacionamento próximo entre os empresários e a atenção ao atendimento ao consumidor foram fatores que contribuíram para a consolidação da iniciativa e para o nascimento da Associação.
“A principal motivação para a criação da Hipervalor foi garantir crescimento com sustentabilidade. O médio varejo precisava preservar sua identidade regional, mantendo a proximidade e a relação de confiança construída com o consumidor ao longo dos anos”, afirma Gustavo Fleubert. “Por outro lado, entendemos que, para crescer e conquistar maior visibilidade junto à indústria, a união e o ganho de escala seriam fundamentais. Sozinho, o médio varejista tem força regional; juntos, conseguimos ampliar nossa competitividade e nosso poder de negociação”, destaca.
CRESCIMENTO
Hoje, a Hipervalor é formada por seis grupos econômicos associados, totalizando 115 lojas em 35 cidades mineiras. A presidência da Central é exercida por Vinicius Morais, que também atua como diretor executivo e participa ativamente das decisões estratégicas e da condução institucional da entidade.
Segundo Gustavo Fleubert, a inauguração da sede em Itaúna foi um marco decisivo. “A partir do momento em que estruturamos uma sede física, conseguimos centralizar processos, organizar melhor as operações e reunir pessoas dedicadas exclusivamente ao desenvolvimento da Hipervalor”, explica.
Em 2024, a Central transferiu suas operações para Belo Horizonte, o que ampliou sua visibilidade institucional e consolidou a presença no mercado mineiro. Nesse período, a Hipervalor recebeu o Troféu Gente Nossa, concedido pela Associação Mineira de Supermercados (AMIS), por dois anos consecutivos.
Outro fator relevante foi a entrada de dois grupos recentes, ambos com faturamento superior a R$ 1 bilhão, o que marcou mais uma etapa de expansão. “A chegada desses associados reforça que o modelo da Hipervalor é percebido como uma alternativa estratégica para empresas que buscam escala sem abrir mão da identidade regional”, observa Fleubert.
Com crescimento consistente desde a fundação, a Central reúne atualmente faturamento próximo a R$ 5 bilhões e cerca de 12 mil colaboradores, consolidando-se como um hub de negócios em evolução no varejo supermercadista mineiro.
MARCA PRÓPRIA
Entre os marcos recentes está o lançamento da marca própria PORTI, presente em todas as redes associadas. A iniciativa integra o portfólio das lojas como estratégia de diferenciação, ampliando competitividade e reforçando a identidade da Central junto ao consumidor. Ainda em fase de consolidação, a marca já apresenta resultados positivos em diferentes categorias, com indicadores de fidelização e desempenho financeiro. Hoje, a PORTI conta com mais de 80 SKUs em gôndola, abrangendo produtos essenciais do dia a dia. “A marca própria fortalece nossa negociação com a indústria, oferece produtos exclusivos e diferenciados, contribuindo para melhores margens, um projeto novo que cresce a cada dia”, explica Fleubert.
DESAFIOS
De acordo com Gustavo Fleubert, os primeiros desafios enfrentados pela Hipervalor estiveram relacionados, principalmente, à cultura organizacional. “Apesar de já existir proximidade entre os empresários, construir um ambiente de total confiança não acontece de forma imediata. Estamos falando de empresas independentes, com histórias próprias e culturas consolidadas”, explica. No início, a abertura de informações estratégicas — prática essencial para o modelo de Central de Negócios — exigiu adaptação e amadurecimento. “Compartilhar dados e indicadores era algo sensível. Com o tempo, a confiança foi sendo construída e, hoje, a troca de informações flui com naturalidade entre os associados e suas equipes”, afirma.
Outro ponto desafiador foi a equalização das diferenças regionais. Minas Gerais possui características muito próprias em cada região, com marcas locais consolidadas, preferências de consumo distintas e forte identidade cultural. “Minas é quase um país, tamanha a diversidade entre as regiões. Alinhar estratégias comerciais respeitando essas particularidades exigiu diálogo e equilíbrio”, observa Fleubert.
COMPETITIVIDADE E FORTALECIMENTO DO MODELO
Manter a competitividade no mercado foi um dos principais impulsionadores da criação e do fortalecimento da Hipervalor. Em um cenário marcado pela consolidação de grandes grupos com faturamento bilionário, o ganho de escala tornou-se estratégico. “Para competir com grandes players, precisamos ter números equivalentes à mesa de negociação. A escala muda o patamar da conversa e nos permite disputar de igual para igual”, afirma o executivo Gustavo Fleubert.
Embora cada rede mantenha sua relevância regional, a atuação conjunta amplia o alcance institucional e comercial. “Individualmente, temos força local; unidos, passamos a ter relevância nacional. Isso muda o jogo”, observa. Além dos resultados comerciais, Fleubert destaca outro benefício considerado estratégico: o intercâmbio de informações e práticas de gestão. “Dentro de uma associação com proximidade e confiança, existe um ganho imensurável na troca de experiências entre os líderes. O benchmark interno gera resultados diretos na operação”, ressalta.
Para os próximos anos, a Hipervalor enxerga que o cenário até 2030 exigirá ainda mais integração, escala e planejamento estratégico. “É exatamente isso que estamos construindo: um futuro no qual o médio varejo vai além, liderando regionalmente e conquistando protagonismo em todas as esferas do setor”, afirma Gustavo Fleubert.
O objetivo da associação é consolidar-se como um hub de negócios capaz de fortalecer os associados em múltiplas frentes — seja nas negociações conjuntas com grandes indústrias, na troca de experiências e benchmarks, na gestão financeira ou na aquisição de insumos. “Nossa missão é clara: apoiar o associado em todas as esferas, oferecendo ferramentas, conhecimento e oportunidades que ampliem competitividade e relevância no mercado”, conclui Fleubert.
Av. Raja Gabáglia, São Bento, Belo Horizonte - MG, 30350-540
Contato: hipervalor@hipervalor.com
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